Vai eu assistir a W.E. – O Romance do século. Último dia em cartaz no Cineart do Shopping Del Rey em BH. Esperava algumas dezenas de pessoas na sala, mas... só venderam 1 ingresso: o meu. Assim inicia minha saga para assistir ao filme dirigido e escrito por Madonna.
Pensei em ir ver outro filme. Nunca pensei que o cinema exibiria o filme só para mim mas, conversando com uma gentil funcionária, ela me disse que era meu direito assistir ao filme – e que ela se juntaria a mim quando pudesse. Voltei para sala (mas pedi que iniciasse direto nos trailers porque eu já sei dos avisos de não fumar e das saídas de emergência).
Bem, vamos ao filme.
Sabia das duras críticas que o filme tem recebido desde sua estréia no ano passado em Cannes. Não esperava ver o melhor filme do século, mas mesmo assim W.E. (pronuncia-se “ uí ”) me surpreendeu.

O filme conta a história de amor entre a plebéia-americana-duas-vezes-divorciada Wallis Simpson (Andrea Riseborough) e o rei britânico Eduardo VIII (James D'Arcy) - amor este que fez o rei abdicar do trono e causou uma das maiores crises do império. Não conhecia muita coisa do caso, além do que se vê no Ensino Médio e do que pude assistir no filme “O Discurso do Rei”, que é contemporâneo à história. A história é contada em meio aos acontecimentos que se desenrolam na vida de uma outra Wally (Abbie Cornish) do século XXI que tem um apego pela sua chará – e como esta passa por momentos um tanto quanto conturbados (e sofridos). Diferente de todo mundo, Madonna conta o romance mostrando o que a Duquesa de Windsor sofreu com essa história toda (culminando na frase "the King used me to escape his prison, only to incarcerate me in my own").
O filme custa a tomar gás. No início é tudo muito confuso. Madonna não soube apresentar as duas histórias (a da Wallis do passado e a da do presente) de forma atraente. O vai-e-vem da história no início é bastante chato, mas um expectador persistente se dá bem a partir dos 30 minutos iniciais quando a história começa a tomar forma.
A partir de então, Madonna brilha (okay, não tanto assim). Os atores são ótimos, com expressões faciais dignas de Oscar, e a diretora-autora soube captar isso em imagens bem anguladas e com ação. O jeito que o segurança da Casa de Leilões olha para a contemporânea Wally é emocionante! E as cenas tórridas dessa com seu marido (ou com ela mesma) são pofundamente construídas - mas somente as bem tórridas porque todas as outras são simplesmente cansativas. Madonna acerta nos diálogos entre as duas “Wallis” também. E nas cenas... enfim, o filme é interessante – muito mais do que a crítica diz. E a trilha sonora (from Abbey Road Studios) é impecável.
Acho que só jornal britânico Daily Mail foi feliz com o comentário sobre as críticas ao filme:
“A lot of people will loathe it, simply because it’s been made by Madonna. But if they were to watch it with no knowledge of who directed, they would be pleasantly surprised.”
Pra quem puder assistir, indico! Mesmo não sendo uma obra prima, “o romance do século” é bem retratado no filme e vale a pena ser visto. Porém, não espere muito mais do que isso.